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Posso ser séria, brincalhona, distraída, chata, abusada, legal,ótima, travosa (como diz um grande amigo) isso depende de você, de mim, do dia ou da situação. Quer mesmo saber quem sou eu? Precisa de mais proximidade. Gosto de ler e escrever, embora nem sempre tenha tempo suficiente para tais práticas. Gosto de tanta coisa e de tantas pessoas que não caberiam aqui se a elas fosse me referir uma por uma. Acho a vida um belo espetáculo sem ensaios onde passeamos dia a dia a procura da felicidade. Para falar mais de mim profissionalmente: Sou professora. Graduada em Letras-FAFICA. Atualmente estudo sobre Leitura Literária no Ensino Fundamental. Atuo no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

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quarta-feira, 13 de março de 2013

Homofobia: um problema complexo de se resolver


Homofobia: um problema complexo de se resolver
Mariana Branco

Estudos revelam despreparo de gestores ao enfrentarem a
discriminação contra homossexuais no ambiente escolar

Em uma escola pública de Uberlândia (MG), um professor homossexual era frequentemente agredido pelos alunos, que o chamavam de boiola e de bicha. A direção não tomou providências, provavelmente por medo de revides, uma vez que a instituição localizava-se num bairro com alto índice de criminalidade. O relato, que faz parte do estudo Docências que Transitam pelas Fronteiras das Sexualidades e do Gênero: a Escola como Espaço de Imposição de Poderes e Resistências, do educador Neil Franco Pereira de Almeida, evidencia a discriminação contra homossexuais nas escolas brasileiras. Embora muitos gestores ainda prefiram não discutir o assunto ou até negar a sua existência, a homofobia faz vítimas, seja os professores, que acabam saindo da escola, seja os estudantes homossexuais, que terminam entrando para as estatísticas de evasão escolar.

O estudo de Almeida analisa relatos de professores e professoras gays, travestis e lésbicas, e suas análises são parte de uma pesquisa de mestrado em Educação realizada nos anos de 2007 e 2008. Na visão do docente, a homofobia está relacionada à construção social que diz que a sociedade é construída por dois gêneros — masculino ou feminino — e que uma dessas duas identidades, que seria a masculina, tem um valor social superior à outra. “O estereótipo gay estaria transitando para o gênero feminino e desobedecendo a regra de que o masculino é a
identidade máxima. A homofobia vai denunciar o sexismo que existe socialmente e que envolve professores, professoras, alunos e alunas”, explica Almeida, que também é professor do curso de Educação Física da Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), de Minas Gerais.

O educador ainda destaca as consequências do preconceito, como a baixa autoestima de docentes homossexuais. “Às vezes, ele [o professor homossexual] pode se sentir na obrigação de alimentar essa homofobia dentro da escola, achando que talvez não tenha o valor social que lhe é devido, que deveria ter. Lá no fundo, ele pode acreditar que a desvalorização da homossexualidade é uma coisa legítima, legal. Na minha pesquisa, percebi que eles têm um pouco de dificuldade de administrar isso”, analisa.

É aí que entra o papel do gestor escolar no combate à homofobia. Mas, para especialistas no assunto, o que mais se vê são profissionais despreparados diante de situações discriminatórias, e, não sabendo lidar com a situação, muitos preferem ignorá-la. “O discurso da diversidade é muito frágil, fica muito no papel. Na hora de botar em prática mesmo, é outra história, porque na verdade o discurso é uma coisa, mas a prática é outra”, afirma o professor.

Para o deputado estadual José Rodrigues Lemos (PT-PR), o Professor Lemos, a escola brasileira, situada em uma sociedade que é preconceituosa, reproduz essa realidade. “Diante de pesquisas, observamos que é grande o número de estudantes que rejeitam a presença de colegas homossexuais. Dados mostram que há uma exclusão nas escolas dos alunos que não são heterossexuais, e a maioria acaba abandonando a escola”, afirma, lembrando que o Brasil já foi considerado o país mais homofóbico do mundo. Ele se refere ao Relatório Anual do Grupo Gay da Bahia (GGB), que lista desde 1980 os assassinatos de homossexuais no País — em 2008, o Brasil registrou o maior número de crimes do gênero (190 casos), seguido pelo México (35) e pelos Estados Unidos (25).

Segundo o deputado, quando acontece uma situação de discriminação, é importante que os docentes estejam preparados para atender a uma demanda como essa. “Mas, evidentemente, eles precisam contar com uma equipe pedagógica preparada, com a direção e com o Conselho Escolar, que, na área pública, é o órgão de maior deliberação da escola.” Lemos propõe a sensibilização de gestores de escolas públicas e privadas para a promoção de um debate sobre o assunto e a inclusão desses conteúdos no interior das escolas. “Se avançarmos com os gestores, nós vamos mais rapidamente combater a homofobia nas instituições de ensino. Estamos propondo abrir esse debate levando toda a comunidade escolar a refletir”, afirma. No final do ano passado, ele promoveu, na Assembleia Legislativa do Paraná, a audiência pública sob o tema Escola sem Homofobia: Toda Discriminação Deve Ser Reprovada!. Uma das propostas aprovadas na audiência pública pelas entidades presentes — instituições integrantes do Fórum Paranaense de Gênero e Diversidade Sexual, como a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Dom da Terra, o Grupo de Gênero da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR) e o Grupo Dignidade — foi a criação de um projeto de lei que tornaria obrigatória a inserção de conteúdos curriculares sobre as relações entre os gêneros e a diversidade sexual nos estabelecimentos de ensino do Estado, medida que seria aplicada em instituições públicas e privadas, da Educação Básica ao Ensino Superior.

Almeida lembra em seu estudo que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), do Ministério da Educação (MEC), apresentam a orientação sexual como um de seus temas transversais, ou seja, os conteúdos relacionados à temática da sexualidade devem atravessar e ser contemplados por todas as séries e por todas as áreas do conhecimento. Mas ele acrescenta: “São dez anos de uma proposta que pouco se conseguiu instituir como forma de desenvolver esse conhecimento”.

Formação

Se o projeto de lei do Paraná fosse aprovado e colocado em prática, poderia ser um caminho para preparar futuros docentes e gestores do Estado. “A escola não está só para ensinar Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia; ela está para contribuir para a construção de uma sociedade justa. Então, a gente não pode permitir que discriminações sejam feitas, percebidas, e a escola não tome providências”, analisa o deputado.

O professor de História e coordenador pedagógico de Ensino Fundamental (séries finais) do Colégio de Aplicação João XXIII, de Juiz de Fora (MG), Anderson Ferrari, alerta para a necessidade de os educadores também estarem preparados para situações de homofobia. “A escola não quer discutir conscientemente e tem dificuldade efetiva de discutir, por várias questões. Uma delas se refere às nossas formações, sobretudo às licenciaturas, que são extremamente conteudistas. As pessoas entram na graduação e vão ser professores achando que sala de aula é só conteúdo”, opina Ferrari, que também é professor do Programa de Pós-Graduação em Educação (mestrado/doutorado) na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Para ele, a sala de aula exige uma série de outras coisas e, dentre elas, as construções das identidades. “O que o professor não sabe é exatamente trabalhar essas questões.”

Ferrari acrescenta que alguns professores não tomam nenhuma atitude ao presenciar a discriminação porque, muitas vezes, não sabem como agir. “Se lida mal com isso fora da escola, ele vai lidar da mesma forma na instituição. A graduação não foi capaz de mudar essa postura dele, porque não discutiu isso. Basta a gente pensar: qual faculdade discute sexualidade? Você não tem na História, por exemplo, a história da sexualidade. Você não tem nenhum momento em que se discute a sexualidade, muito menos a homossexualidade”, alerta.

Recomendações

Os especialistas sugerem que o gestor aborde a diversidade sexual e o respeito à orientação sexual não apenas com o corpo docente, mas com todos os colaboradores da instituição de ensino. “Esses funcionários recebem o aluno no portão, fazem a merenda, estão na biblioteca, na secretaria e andando pelo pátio. E os estudantes têm confiança e conversam muito com eles. Então, esses profissionais precisam estar incluídos no debate”, analisa Lemos.

Outra orientação é que as instituições de ensino estabeleçam regras claras para evitar confusões. Ferrari relembra uma situação em que um aluno queria ir para a escola com a camisa do arco-íris durante a semana de comemoração do Rainbow Fest — evento organizado pelo Movimento Gay de Minas (MGM). Quando isso foi negado a ele, o estudante achou que a escola estava agindo de forma discriminatória. “Isso é uma regra da escola que cabe a todo mundo. A fronteira é muito tênue. Não quer dizer que não haja homofobia; ela existe de fato e muitas vezes é sutil.”

Religião

Um professor entrevistado por Almeida (para o estudo citado no início deste artigo) apontou a religiosidade como uma das principais barreiras na construção de um trabalho representativo que discuta a homossexualidade nas escolas. E essa questão afeta não apenas as instituições brasileiras. Nos Estados Unidos, por exemplo, a aprovação em maio de 2009 de um currículo que visava evitar a homofobia em escolas de Alameda, na Califórnia, está provocando muita polêmica. A Lição 9, como é chamada, gerou um processo judicial, acusações de que famílias religiosas estão sendo discriminadas e ameaça de afastamento dos três membros do Conselho Educacional da cidade que aprovaram a medida. Ela se resume ao ensino sobre o tema uma vez ao ano, durante 45 minutos, para todas as séries a partir da Educação Infantil. Lá, existe uma tensão entre pais gays, que querem ter seus filhos protegidos contra possíveis discriminações, e pais que acreditam que é muito cedo abordar homossexualidade com alunos de Ensino Fundamental.

Para Rogério Diniz Junqueira, pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a principal consequência de as escolas não implementarem políticas de enfrentamento à violência e ao preconceito motivado por orientação sexual e identidade de gênero é a construção de um ambiente escolar menos pedagógico e seguro. “As pesquisas do Inep mostram que, quanto mais preconceituoso é o ambiente escolar, menor é o rendimento escolar de todos os estudantes; a média cai” (veja dados a seguir).

Preconceito nas escolas

Uma recente pesquisa nacional, resultado de uma parceria entre o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), analisou ações discriminatórias em 501 escolas. Participaram 501 diretores, 1.005 professores, 1.004 funcionários, 15.087 alunos e 1.002 pais/mães de alunos. Veja alguns resultados:

• 99,3% afirmaram possuir algum nível de preconceito, sendo que 87,3% indicaram o preconceito em relação à orientação sexual.

• 98,5% apresentaram predisposição a manter algum grau de distância em relação aos homossexuais.

• O índice de conhecimento de situações discriminatórias pelo fato de o aluno ser homossexual foi de 17,4% e pelo fato de o professor ser homossexual foi de 8,1%.

• Escolas em que se observaram atitudes mais preconceituosas entre os alunos apresentaram avaliações mais baixas na Prova Brasil 2007 (em Matemática e Português).

Estados de negação

Enquanto trabalhava na implementação do Programa Brasil Sem Homofobia, do Governo Federal, Rogério Diniz Junqueira, hoje pesquisador do Inep, ouvia discursos de agentes públicos e dirigentes escolares que deixavam transparecer um estado de negação em relação à homofobia e à diversidade sexual. Em um estudo, ele agrupou e problematizou argumentos colhidos entre 2005 e 2008:

• Negação literal: nega-se de forma direta e categórica. Exemplos: “A homofobia não é um problema” ou “As coisas não são assim. Nessa escola, não temos gays nem lésbicas”.

• Negação implícita: são negadas as suas implicações psicológicas, físicas, morais e políticas, e, em geral, o interlocutor utiliza justificativas evasivas. Não raro, essa negação se dá por meio de afirmações que parecem justificáveis: “Por que eu deveria me arriscar? Em outros países é pior do que aqui”.

• Negação interpretativa: mais do que refutar diretamente o fenômeno, procura-se atribuir a ele um significado ou um contorno diverso: “Será que é assim mesmo? Afinal, faltam dados, indicadores que comprovem que essa violência seja fruto da homofobia”.

• Hierarquização: aqui, a homofobia não é simplesmente negada, mas denegada por meio do estabelecimento de níveis de prioridade que nos obrigariam a adiar o seu enfrentamento: “Devemos primeiro enfrentar o analfabetismo”.

• Diversionismo: o interlocutor, ao admitir a homofobia, exibe aqui maior preocupação em introduzir novos problemas, apresentar argumentos fantasiosos e discutir aspectos nitidamente escapistas ou pouco relevantes: “Isso é muito complexo. A escola não está preparada” ou “Isso é coisa para o pessoal da saúde”.

• Apelo ao senso de oportunidade: “Ainda é cedo” ou “Não há clima neste momento”.

• Antecipação fatalista: ressaltam-se dimensões negativas das ações de reconhecimento da diversidade e de crítica da homofobia. “Não vai adiantar”, “Nossa contribuição não fará nenhuma diferença” ou “Sempre foi assim e continuará sendo em todo o mundo”.

Fonte: Estudo Não Temos que Lidar com Isso. Aqui Não Há Gays nem Lésbicas! Estados de Negação da Homofobia nas Escolas.

Mariana Branco é jornalista.
Endereço eletrônico:
mariana@humanaeditorial.com.br
Revista Gestão Educacional. Ano 05. nº 57. Curitiba:
Humana Editorial, fevereiro de 2010.

“Professores devem reaprender a aprender”


“Professores devem reaprender a aprender”
O professor americano Will Richardson percebeu, em sua rotina de sala de aula, que havia alguma coisa mudando naquele espaço de aprendizagem. O ano era 2001 e ele dava aula de inglês para o ensino médio em escolas norte-americanas. Nessa década que se passou, as tecnologias foram entrando no universo educacional, ele começou a escrever sobre o assunto e, entre idas e vindas de conversas com professores pelo país, sua suspeita só se confirmou: essa aflição não era só sua. Foi aí que percebeu que o primeiro passo para os professores se adequarem aos novos formatos de educação era fazer com que eles reaprendessem a aprender e, para isso, era fundamental que eles se organizassem em redes.
“Esse é um dos desafios mais interessantes que temos hoje: como é que ajudamos os professores a entender o que está acontecendo fora das escolas e os deixamos aptos para preparar as crianças para essa realidade?”, pergunta o especialista, que já tem uma dica de qual seja a resposta. “Os professores têm que construir suas próprias redes e se tornar responsáveis pelo seu aprendizado, assim como se espera que os alunos façam”, afirma Richardson, que há seis anos vêm capacitando professores por meio do programa Powerful Learning Practice.
crédito Andrea Danti / Fotolia.com

Na capacitação que dá para os professores, Richardson reúne professores em comunidades virtuais e em algumas atividades presenciais ao longo do ano letivo. Ele procura fazer desse ambiente virtual um espaço compreensivo em que os professores possam compartilhar experiências, ansiedades e expectativas e, de quebra, se apropriar das funcionalidades da internet. “Tentamos fazer com que os professores se sintam confortáveis com o ambiente on-line, dividam seus medos, sejam transparentes, conversem. Mas leva tempo”, afirma o especialista, que procura usar o canal que criou para mostrar exemplos do que é possível fazer e falar sobre a educação do século 21. O programa, diz ele, tem sido procurado por escolas públicas e particulares, que inscrevem parte do seu corpo docente para participar da capacitação. As atividades são compartilhadas em um blog e parte das discussões que esses educadores promovem podem ser acessadas pelo site.
Preparar os professores para uma nova realidade de educação, em que há muito mais conhecimento disponível na palma da mão em um smartphone do que nas bibliotecas de muitas escolas, é apenas parte da solução. Richardson diz que a própria escola precisa mudar radicalmente. Tanto defende que lançou, no mês passado, o livro Why School?, (Por que Escola?, em livre tradução), cuja versão digital em inglês está disponível na Amazon por US$ 2,99. “Não é que não queiramos a escola. Não queremos essa escola. Tudo precisa ser repensado: currículo, design, infraestrutura”, diz ele.
“Não acho que possamos fazer como fazemos hoje, quando os alunos ficam trancados 45 minutos em uma sala, depois têm outra aula de 45 minutos. Temos que dar uma bagunçada nisso.”
O argumento de Richardson é que entregar o conhecimento pronto, encaixotado, hoje não faz mais sentido. O que se espera é que o currículo seja reflexivo, baseado muito mais em perguntas que não necessariamente se sabe a resposta – “porque é isso que elas vão encontrar na vida”. “As crianças demandam diferentes tipos de aprendizado, diferentes tipo de alfabetizações”, diz o educador, que ressalta a importância de que os alunos recebam uma espécie de alfabetização em rede (livre tradução para network literacy), em que aprendam segurança na web, como e onde pesquisar, o que se pode ou não fazer em ambiente virtual.
Quanto à estrutura das escolas, Richardson diz que o ideal é que os espaços fossem redesenhados porque sala de aula, quadro negro e carteira já não fazem mais sentido. “É preciso ter muito mais espaços colaborativos de trabalho, acesso a materiais multimídia. Não acho que possamos fazer como fazemos hoje, quando os alunos ficam trancados 45 minutos em uma sala, depois têm outra aula de 45 minutos. Temos que dar uma bagunçada nisso.”.
FONTE: http://porvir.org/porpensar/professores-devem-reaprender-aprender/20121009

sexta-feira, 1 de março de 2013

HOJE DESAPRENDO O QUE TINHA APRENDIDO ATÉ HOJE (CECÍLIA MEIRELES)

HOJE DESAPRENDO O QUE TINHA APRENDIDO ATÉ HOJE
(CECÍLIA MEIRELES)


Hoje desaprendo o que tinha aprendido até hoje
e que amanhã recomeçarei a aprender.
Todos os dias desfaleço e desfaço-me em cinza efêmera:
todos os dias reconstruo minhas edificações, em sonho eternas.
Esta frágil escola que somos, levanto-a com paciência
dos alicerces às torres, sabendo que é trabalho sem termo.

E do alto avisto os que folgam e assaltam, donos de riso e pedras.
Cada um de nós tem sua verdade, pela qual deve morrer.

De um lugar que não se alcança, e que é, no entanto, claro,
minha verdade, sem troca, sem equivalência nem desengano
permanece constante, obrigatória, livre:
enquanto aprendo, desaprendo e torno a reaprender.

Meireles, Cecília,1901-1964

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

À DERIVA - CONCEIÇÃO GOMES

À DERIVA
CONCEIÇÃO GOMES

Estou à deriva
Não sinto, não quero.
Vejo folhas cinzentas
Caírem de árvores infrutíferas.
Meu coração parou
E tudo que vejo
É sem cor, sem brilho.

As ruas possuem todas
O mesmo cheiro.
Não me comovem
A aurora
Nem o crepúsculo.

Nada faz sentido
Entre partir ou ficar
Parece não haver diferença.
Estou à deriva,
Cercada de morbidez.

PALAVRAS GUARDADAS - Conceição Gomes



PALAVRAS GUARDADAS
(Conceição Gomes – 2013)


Guardei-lhe em palavras.
Promessas tantas
Entre você e eu
E um oceano de tempo
A nos separar.

Guardei-lhe em minhas palavras.
Tanto por ser escrito
E uma pausa na composição,
Nas notas que se emaranharam
Em tantas partituras livres.

Guardei-me em suas palavras.
Diariamente um novo vocabulário,
Tantas outras surgindo
E nos compondo,
Afirmando-nos.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Menos da metade dos professores de escolas públicas lê no tempo livre


Menos da metade dos professores de escolas públicas lê no tempo livre

Publicado em 05.02.2013, às 09h30


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Dos 225.348 professores que responderam à questão, 76.667 (34%) leem nunca ou quase nunca
Foto: Internet

Um cabo de vassoura que era capaz de falar e sentir era o protagonista do primeiro livro lido pela então adolescente Denise Pazito. Hoje, professora e pedagoga no Espírito Santo, ela fala da experiência em seu blog. "O livro foi indicado pela escola. Provavelmente, eu estava no 4° ou 5° ano. Ele se chamava Memórias de um Cabo de Vassoura e o seu autor era Orígenes Lessa. Professora inspirada a minha. Acertou na mosca. Uma história encantadora. Me encantou pelo mundo das letras."

Mas assim como são capazes de encantar, os professores têm em suas mãos o poder de desencantar, não por intenção, às vezes por desconhecimento. Uma pesquisa feita pelo QEdu: Aprendizado em Foco, uma parceria entre a Meritt e a Fundação Lemann., organização sem fins lucrativos voltada para educação, mostra que menos da metade dos professores das escolas públicas brasileiras tem o hábito de ler no tempo livre.

Baseado nas respostas dadas aos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e divulgados em agosto do ano passado, o levantamento do QEdu mostra que dos 225.348 professores que responderam à questão, 101.933 (45%) leem sempre ou quase sempre, 46.748 (21%) o fazem eventualmente e 76.667 (34%), nunca ou quase nunca.

No caso de Denise, a leitura levou essa prática para as salas de aula, no entanto, muitos brasileiros terminam o ensino básico sem ler um livro inteiro. Para além da falta do hábito de leitura, a questão pode estar ligada a infraestrutura.

"O número de professores que não leem é chocante, mas isso pode estar ligado ao acesso. É preciso lembrar que faltam bibliotecas e que um livro é caro. Um professor de educação básica ganha em média 40% menos que um profissional de ensino superior. Acho que faltam políticas de incentivo. Não acredito que seja apenas desinteresse", diz a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Um levantamento divulgado em janeiro pelo movimento mostra que o Brasil precisa construir 128 mil bibliotecas escolares em sete anos para cumprir uma lei federal que vigora desde 2010. Segundo a pesquisa, faltam 128 mil bibliotecas no país. Para sanar esse déficit até 2020, deveriam ser erguidos 39 espaços por dia, em unidades de ensino públicas e particulares. Atualmente, a deficiência é maior nas escolas públicas (113.269), o que obrigaria a construção de 34 unidades por dia até 2020.

Para Priscila, uma possível solução seriam os livros digitais. O Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado) do Ministério da Educação distribui equipamentos tecnológicos nas escolas e oferece conteúdos e recursos multimídia.

Além disso, o governo facilita o acesso aos conteúdos por meio da distribuição de tablets, tanto para professores quanto para estudantes. No ano passado, o MEC transferiu R$ 117 milhões para 24 estados e o Distrito Federal para a compra de 382.317 tablets, destinados inicialmente a professores do ensino médio.

Sobre o acesso digital, os dados do levantamento do QEdu mostram que 68% dos professores (148.910) que responderam à pergunta usam computador em sala de aula. O estado com a maior porcentagem é Mato Grosso do Sul: 95% dos professores disseram que usam o equipamento. O Maranhão é o estado com a menor porcentagem (50,5%) de professores fazem o uso do computador. É lá também onde se constatou a maior porcentagem de escolas onde não há computadores: 38,3%. Estão no Sudeste, no entanto, as maiores porcentagens dos professores que acreditam não ser necessário o uso de computador nas salas: Minas Gerais (16%), Rio de Janeiro (15,4%) e São Paulo (15%).

O responsável pelo estudo, o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins, diz que o país vive uma época de inovações no ensino e de incorporação dos meio digitais, como disse recentemente em palestra no Brasil o professor norte-americano Salman Khan, que usa o meio digital para promover acesso ao ensino. "Existem muitos desafios no país ligados a problemas de infraestrutura. Não apenas de acesso às máquinas, mas de acesso à internet, à qualidade dos sinais", disse.

Ao recepcionar o professor norte-americano, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ressaltou a importância dos meios digitais: “O conteúdo ao qual o filho dos mais ricos tem acesso pode ser dado aos menos servidos de educação. Queremos tornar a educação não algo escasso, mas um direito humano que todas as pessoas possam ter”, disse.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 12 de janeiro de 2013

CONJUGAÇÃO VERBAL (Conceição Gomes)

CONJUGAÇÃO VERBAL
(Conceição Gomes)

Vou conjugar
e assim será:
"VAMOS CONJUGAR"
Em primeira pessoa do singular
você faz,
faço eu.
Em primeira pessoa do plural
fazemos nós.
Tantos verbos que nos cabem.
Tantos verbos
e os nossos sorrisos coloridos
com tantas conjugações.

(09/01/2013)