Quem sou eu
- Konceyção
- Santa Cruz do Capibaribe/ Caruaru, NE/PE, Brazil
- Posso ser séria, brincalhona, distraída, chata, abusada, legal,ótima, travosa (como diz um grande amigo) isso depende de você, de mim, do dia ou da situação. Quer mesmo saber quem sou eu? Precisa de mais proximidade. Gosto de ler e escrever, embora nem sempre tenha tempo suficiente para tais práticas. Gosto de tanta coisa e de tantas pessoas que não caberiam aqui se a elas fosse me referir uma por uma. Acho a vida um belo espetáculo sem ensaios onde passeamos dia a dia a procura da felicidade. Para falar mais de mim profissionalmente: Sou professora. Graduada em Letras-FAFICA. Atualmente estudo sobre Leitura Literária no Ensino Fundamental. Atuo no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.
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terça-feira, 31 de maio de 2011
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - A FLOR E A NÁUSEA

Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cizenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 30 de maio de 2011
ELA: FRAGMENTOS - CONCEIÇÃO GOMES

Quando a felicidade vem
Em passos lentos e firmes,
Em toques leves e profundos,
Sinto a brisa e agradeço
Por todos os minutos
Todos os átomos
Tudo que poderia e não poderia ser
Tudo que é e não é.
Várias maneiras de a felicidade vir,
Mas quando ela veio enroscada em seus fios de cabelo
Que enroscavam minhas mãos
E os fios que catava entre nossos corpos
Quando nossas temperaturas se mesclavam
Senti a minha pequenina grandiosidade
Muito além dos limites cotidianos
Não posso quantificar
Não posso guardar concretamente
Mas posso ainda infinitamente maior,
Guardar em mim
Em todo o meu corpo
Em meus sentidos
Na memória
O que é só nosso.
Teremos sempre essa preciosidade a dividir
E só por isso
E por isso tudo
O futuro sempre nos ansiará.
Conceição Gomes (26/06/2010)
DIANTE DO SILÊNCIO - CONCEIÇÃO GOMES

DIANTE DO SILÊNCIO
Às vezes o silêncio é impenetrável
E o que se pode fazer é também silenciar,
Diante desse silêncio de alma,
Silêncio de mente,
Silêncio de palavras,
Não deve haver espaço para divagações,
Para perguntas.
Há sobretudo que entender
Que cara a cara com algumas esfinges
Não há perguntas,
Pois elas não pedem que as decifremos
Consequentemente não se é devorado,
Ficando tudo por isso:
Silêncio versus silêncio,
Apenas na contemplação.
Diante desse silêncio
É imprescindível não esquecer
Que ele não pode incomodar
E por que deveria?
O silêncio assim diante de mim,
Encerra-se nele mesmo
E como numa prece o que se pode fazer
É agradecer silenciosamente
Esse silêncio
Que mais parece ter cores de um céu crepuscular.
Na estrada em linha reta
Eis que surge um labirinto silencioso
E o que se deve fazer
É apenas seguir o caminho
Como se o extraordinário não existisse,
Pois é aí onde consiste o engano...
O mas silencioso engano.
(Conceição Gomes
domingo, 29 de maio de 2011
PROPAGANDA PIRATEADA -PARADA NACIONAL, TERÇA-FEIRA 31/05/2011 NÃO ACONTECERÁ

| Piratearam propaganda da CNTE | | | |
sábado, 28 de maio de 2011
Isabela Moraes - Preconceito Linguístico
Faço a crença pelo meu velório a reza
Que enterraram as palavras portuguesas
Sob um vú de vãs postiças palavresas
Foi criado nosso novo dicionário
Onde banca-se o papel de missionário
O próprio vocabulário de muletas
O próprio vocabulário
Livre dos livros os equívocos
As gargalhadas da gramática
O preconceito linguistico
Palavras marginalizadas
O preto o pobre e o racismo
O preconceito por nada
Sexo é assunto proibido
A não ser fora de casa
Desligue a tv vá ler um livro
O mito é a verdade inventada
Não crer no que vê é mais difícil
Que ler pra aprender coisas erradas
Proteja-se sempre do vício
De acreditar em tudo que se espalha
Existem milhares de artifícios
No vasto precipício se fala
No vasto precipício
É minha nossa voz
É nossa minha voz
É minha nossa voz
É nossa
Não permito que a gramática
estragada
Me atinja sem um mero objetivo
Não aceito sua questão analisada
Nem com mil razões que
justifiquem isso
Eu aqui é que não escreverei
mais nada
Pois quem manda antes em
um julgamento
É a forma de como o
pronunciamento
Absolverá a vítima palavra