Quem sou eu

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Santa Cruz do Capibaribe/ Caruaru, NE/PE, Brazil
Posso ser séria, brincalhona, distraída, chata, abusada, legal,ótima, travosa (como diz um grande amigo) isso depende de você, de mim, do dia ou da situação. Quer mesmo saber quem sou eu? Precisa de mais proximidade. Gosto de ler e escrever, embora nem sempre tenha tempo suficiente para tais práticas. Gosto de tanta coisa e de tantas pessoas que não caberiam aqui se a elas fosse me referir uma por uma. Acho a vida um belo espetáculo sem ensaios onde passeamos dia a dia a procura da felicidade. Para falar mais de mim profissionalmente: Sou professora. Graduada em Letras-FAFICA. Atualmente estudo sobre Leitura Literária no Ensino Fundamental. Atuo no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Marisa Monte - Ainda Bem

I MOVECS (Movimento Evidenciando a Cultura Surda)


VOCÊ ESTÁ PREPARADO (A) PARA QUEBRAR AS BARREIRAS DO SILÊNCIO?

Então você deve participar do I MOVECS (Movimento Evidenciando a Cultura Surda), que acontecerá em nossa cidade - Santa Cruz do Capibaribe nos dias 18, 21, 22 e 23 de setembro de 2011. O MOVECS surge com o intuito de valorizar e divulgar a cultura surda, mostrando à sociedade em geral sobre a importância de reconhecer as diferenças e acima de tudo respeitá-las.


Confira a programação:

Missa de Abertura do MOVECS ano I
Dia: 18/09/11
Horário: 19:30
Local: Igreja São Cristóvão


Abertura Oficial do MOVECS.
Dia: 21/09/11
Horário: 13:30 às 17:30
Local: Câmara Municipal de Vereadores de Santa Cruz do Capibaribe-PE
Público Alvo: Pais, educadores, surdos e a comunidade em geral


Momento Cultural em LIBRAS
Dia: 22/09/11
Horário: 8:00 às 11:30
Local: Câmara Municipal de Vereadores de Santa Cruz do Capibaribe-PE
Público Alvo: Comunidade em geral

Caminhada pelas ruas da cidade.

Dia:23/09/11
Horário: 8:00

Local: Concentração de fronte ao Parque Florestal
Percurso: Rua: Cabo Otavio Aragão
Rua:José Francelino Aragão
Rua: Julio de Moraes
Avenida: Padre Zuzinha ( de fronte ao Marco Zero)



VOCÊ É O NOSSO CONVIDADO ESPECIAL!



Organização:

Profª Janeina do Nacimento Lima
Profª Janiele Espínola de Melo
Profª Márcia Aparecida (não sabia o nome completo)
Profª Maria Marta Oliveira Coelho
Profª Mercia Andreza (não sabia o nome completo)


Patrocinadores:

Escola Mul. Senador José Ronaldo Aragão
Secretaria Municipal de Educação Cultura e Esportes
Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe
Câmara Municipal de Vereadores de Santa Cruz do Capibaribe
Rota do Mar
COMDECA
ASCAP
Lira Calçados
Thiago Feitosa Corretor de Imóvel
Cheiro de Pano
Quimilson
Makital
N e N Contabilidade
Póllyana Material de Construção
Multi Embalagem
Clinica de Olhos Marcelo Mahon
Degust-Bolos e Tortas
SIC contabilidade
Maristela e Adriana Moraes
Vereador Professor Afrânio
Deputado Estadual Edson Vieira
Carlinho Fotografo
Livraria Compare e Compre


Apoio: Secretaria de Educação de Santa Cruz do Capibaribe e Escola Senador José Ronaldo Aragão

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Gêneros Textuais

Dicas para escrever uma resenha

A arte de escrever, palestra de Gabriel Perissé

O DIA EM QUE EXPLODIU MABATA-BATA – Mia Couto



De repente, o boi explodiu. Rebentou sem um múúú. No capim em volta choveram pedaços e fatias, grão e folhas de boi. A carne eram já borboletas vermelhas. Os ossos eram moedas espalhadas. Os chifres ficaram num qualquer ramo, balouçando a imitar a vida, no invisível do vento.

O espanto não cabia em Azarias, o pequeno pastor. Ainda há um instante ele admirava o grande boi malhado, chamado de Mabata-bata. O bicho pastava mais vagaroso que a preguiça. Era o maior da manada, régulo da chifraria, e estava destinado como prenda de lobolo do tio Raul, dono da criação. Azarias trabalhava para ele desde que era órfão. Despegava antes da luz para que os bois comessem o cacimbo das primeiras horas.

Olhou a desgraça: o boi poeirado, eco de silêncio, sombra de nada.

«Deve ser foi um relâmpago», pensou.

Mas relâmpago não podia. O céu estava liso, azul sem mancha. De onde saíra o raio? Ou foi a terra que relampejou?

Interrogou o horizonte, por cima das árvores. Talvez o ndlati, a ave do relâmpago, ainda rodasse os céus. Apontou os olhos na montanha em frente. A morada do ndlati era ali, onde se juntos os todos rios para nascerem para nascerem da mesma vontade da água. O ndlati vive nas suas quatro cores escondidas e só se destapa quando as nuvens rugem na rouquidão do céu. É então que o ndlati sobe aos céus, enlouquecido. Nas alturas se veste de chamas, e lança seu vôo incendiado sobre os seres da terra. Às vezes atira-se no chão, buracando-o. Fica na cova e ali deita a sua urina.

Uma vez foi preciso chamar as ciências do velho feiticeiro para escovar aquele ninho e retirar os ácidos depósitos. Talvez o Mabata-bata pisara uma réstia maligna do ndlati. Mas quem podia acreditar? O tio, não. Havia de querer ver o boi falecido, ao menos ser apresentado uma prova do desastre. Já conhecia bois relampejados: ficavam corpos queimados, cinzas arrumadas a lembrar o corpo. O fogo mastiga, não engole de uma só vez, conforme sucedeu-se.

Reparou em volta, os outros bois assustados, espalharam-se pelo mato. O medo escorregou dos olhos do pequeno pastor.

- Não apareças sem um boi, Azarias. Só digo: é melhor nem apareceres.

A ameaça do tio soprava-lhe os ouvidos. Aquela angústia comia-lhe o ar todo. Que podia fazer? Os pensamentos corriam-lhe como sombras mas não encontravam saídas. Havia uma só solução: era fugir, tentar os caminhos onde não sabia mais nada. Fugir é morrer de um lugar e ele, com os seus calções rotos, um saco velho a tiracolo, que saudade deixava? Maus tratos, atrás dos bois. Os filhos dos outros tinham direito da escola. Ele não, não era filho. O serviço arrancava-o cedo da cama e devolvia-o ao sono quando dentro dele já não havia resto de infância. Brincar era só com os animais: nadar o rio a boleia do rabo do Mabata-bata, apostar na briga dos mais fortes. Em casa, o tio advinha-lhe o futuro:

- Este, da maneira que vive misturado com a criação há-de casar com uma vaca.

E todos se riam, sem quererem saber da sua alma pequenina, dos seus sonhos maltratados. Por isso, olhou sem pena para o campo que iria deixar. Calculou o dentro do seu saco: uma fisga, frutos de djambalau, um canivete enferrujado. Tão pouco não pode deixar saudade. Partiu na direcção do rio. Sentia que não fugia: estava apenas a começar o seu caminho. Quando chegou ao rio, atravessou a fronteira da água. Na outra margem parou à espera nem sabia de quê.

Ao fim da tarde a avó Carolina esperava Raul à porta da casa. Quando chegou ela disparou a aflição:

-Essas horas e o Azarias ainda não chegou com os bois.

- O quê? Esse malandro vai apanhar muito bem, quando chegar.

- Não é que aconteceu uma coisa, Raul? Tenho medo, esses bandidos …

- Aconteceu brincadeira dele, mais nada.

Sentaram na esteira e jantaram. Falaram das coisas do lobolo, preparação do casamento. De repente, alguém bateu à porta. Raul levantou-se interrogando os olhos da avó Carolina. Abriu a porta: eram os soldados, três.

- Boa noite, precisam alguma coisa?

- Boa noite, viemos comunicar o acontecimento: rebentou uma mina esta tarde, foi um boi que pisou. Agora, esse boi pertencia daqui.

Outro soldado acrescentou:

- Queremos saber onde está o pastor dele.

- O pastor estamos à espera – respondeu Raul. E vociferou: – Malditos bandos!

- Quando chegar queremos falar com ele, saber como foi sucedido. É bom ninguém sair na parte da montanha. Os bandidos andaram espalhar minas nesse lado.

Despediram. Raul ficou, rodando à volta das suas perguntas. Esses sacana do Azarias onde foi? E os outros bois andariam espalhados por aí?

- Avó: eu não posso ficar assim. Tenho que ir ver onde está esse malandro. Deve ser talvez deixou a manada fugentar-se. É preciso juntar os bois enquanto é cedo.

- Não podes, Raul. Olha os soldados o que disseram. É perigoso.

Mas ele desouviu e meteu-se pela noite. Mato tem subúrbio? Tem: é onde o Azarias conduzia os animais. Raul, rasgando-se nas micaias, aceitou a ciência do miúdo. Ninguém competia com ele na sabedoria da terra. Calculou que o pequeno pastor escolhera refugiar-se no vale.

Chegou ao rio e subiu às grandes pedras. A voz superior, ordenou:

- Azarias, volta. Azarias!

Só o rio respondia, desenterrando a sua voz corredeira. Nada em toda à volta. Mas ele adivinhava a presença oculta do sobrinho.

- Apareças lá, não tenhas medo. Não vou-te bater, juro.

Jurava mentiras. Não ia bater: ia matar-lhe de porrada, quando acabasse de juntar os bois. No enquanto escolheu sentar, estátua de escuro. Os olhos habituados à penumbra desembarcaram na outra margem. De repente, escutou passos no mato. Ficou alerta.

- Azarias?

Não era. Chegou-lhe a voz de Carolina.

- Sou eu, Raul.

Maldita velha, que vinha ali fazer? Trapalhar só. Ainda pisava na mina, rebentava-se e, pior, estoirava com ela também.

- Volta em casa, avó!

- O Azarias vai negar de ouvir quando chamares. A mim, há-de ouvir.

E aplicou sua confiança, chamando o pastor. Pro trás das sombras, uma silhueta deu aparecimento.

- És tu, Azarias. Volta comigo, vamos pra casa.

- Não quero, vou fugir.

O Raul foi descendo, gatinhoso, pronto pra saltar e agarrar as goelas do sobrinho.

- Vais fugir para onde, meu filho?

- Não tenho onde, avó.

- Esse gajo vai voltar nem que eu lhe chamboqueie até partir-se dos bocados – precipitou-se a voz rasteira de Raul.

- Cala-te, Raul. Na tua vida nem sabes da miséria – E voltando-se para o pastor: – Anda meu filho, só vens comigo. Não tens culpa do boi que morreu. Anda ajudar o teu tio juntar os animais.

- Não é preciso. Os bois estão aqui, perto comigo.

Raul ergueu-se, desconfiado. O coração batucava-lhe o peito.

- Como é? Os bois estão aí?

- Sim, estão.

Enroscou-se o silêncio. O tio não estava certo da verdade de Azarias.

- Sobrinho: fizeste mesmo? Juntaste os bois?

A avó sorria pensando no fim das brigas daqueles os dois. Prometeu um prêmio e pediu ao miúdo que escolhesse.

- O teu tio está muito satisfeito. Escolhe. Há-de respeitar o teu pedido.

Raul achou melhor concordar com tudo, naquele momento. Depois, emendaria as ilusões do rapaz e voltariam as obrigações do serviço das pastagens.

- Fala lá o seu pedido.

- Tio: próximo ano posso ir na escola?

Já adivinhava. Nem pensar. Autorizar a escola era ficar sem guia para os bois. Mas o momento pedia fingimento e ele falou de costas para o pensamento:

- Vais, vais.

- É verdade, tio?

- Quantas bocas tenho, afinal?

- Posso continuar ajudar nos bois. A escola só frequentamos da parte de tarde.

- Está certo. Mas tudo isso falamos depois. Anda lá daqui.

O pequeno pastor saiu da sombra e correu o areal onde o rio dava passagem. De súbito, deflagrou um clarão, parecia o meio-dia da noite. O pequeno pastor engoliu aquele todo vermelho, era o grito do fogo estourando. Nas migalhas da noite viu descer o ndlati, a ave do relâmpago. Quis gritar:

- Vens pousar quem, ndlati?

Mas nada não falou. Não era o rio que afundava suas palavras: era um fruto vazando de ouvidos, dores e cores. Em volta tudo fechava, mesmo o rio suicidava sua água, o mundo embrulhava o chão nos fumos brancos.

- Vens pousar a avó, coitada, tão boa? Ou preferes no tio, afinal das contas, arrependido e prometente como o pai verdadeiro que morreu-me?

E antes que a ave do fogo se decidisse Azarias correu e abraçou-a na viagem de sua chama.

COUTO, Mia. Vozes anoitecidas. Lisboa: Editorial Caminho, SA, 1987

domingo, 11 de setembro de 2011

LOUCURA - CONCEIÇÃO GOMES


"LOUCURA"

Aquece o meu corpo

Desse frio sem graça

Causado pela ausência do seu corpo

Junto ao meu.

E se eu passasse horas

Apenas em silêncio

Por não conseguir a perfeição

De uma palavra-chave

Que me trouxesse

Você de volta...

Se eu gritasse

Palavras soltas ao vento

E corresse

Como uma desesperada

Quando não entendesse

O que sinto, o que quero

E procuro...

Você ficaria ao meu lado?

Você iria tentar dominar meus anseios

Ou fugir para bem longe?

Deixar-me-ia à margem de uma estrada

Que é só um círculo-vicioso?

Conceição Gomes (08/09/2011)