Quem sou eu

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Posso ser séria, brincalhona, distraída, chata, abusada, legal,ótima, travosa (como diz um grande amigo) isso depende de você, de mim, do dia ou da situação. Quer mesmo saber quem sou eu? Precisa de mais proximidade. Gosto de ler e escrever, embora nem sempre tenha tempo suficiente para tais práticas. Gosto de tanta coisa e de tantas pessoas que não caberiam aqui se a elas fosse me referir uma por uma. Acho a vida um belo espetáculo sem ensaios onde passeamos dia a dia a procura da felicidade. Para falar mais de mim profissionalmente: Sou professora. Graduada em Letras-FAFICA. Atualmente estudo sobre Leitura Literária no Ensino Fundamental. Atuo no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

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sábado, 10 de dezembro de 2011

NEM TUDO SÃO FLORES - CONCEIÇÃO GOMES


NEM TUDO SÃO FLORES


Caminho pelas ruas empoeiradas.

Cabelos desgrenhados,

Pele forte e resistente,

Olhos atentos e expressivos.


Palavras, sempre as mesmas

Ecoando em minha mente,

Pulsando na boca,

Discurso pronto,

Objetivo!


E tudo me farta:

Discursos prontos

E sem serventia,

Palavras sem sentido

E um sentido cheio de palavras

Que não podem nem ecoar


Sim essa sou eu!

Se lhe causo surpresa

É simplesmente

Por ser eu em sobressaltos

Manhã a cada manhã

Sol escaldante.


Mas são as palavras

São as sempre ditas

Palavras que me salvam nos dias inúteis

Nos dias úteis

As palavras – balas –

São impronunciáveis

Diante de tantas outras que fazem sentido

Mas não me representam.

(Conceição Gomes – Garanhuns 04/12/2011)

Na data de seu aniversário, Clarice Lispector é celebrada com recitais e palestras




 (Kleber Sales CB/D.A Press)

Clarice Lispector nunca fez concessões para se comunicar com os leitores e era tida por muitos na condição de esfinge literária só decifrável por iniciados. Mas, surpreendentemente, ela se tornou uma das mais populares escritoras do Brasil, em plena era virtual. O dia de hoje é especial para Clarice pelo seu aniversário de 91 anos e por uma série de eventos, palestras, recitais e lançamentos de livros em sua memória, espalhados por vários pontos do país. Sob a inspiração do Dia D, organizado pelo Instituto Moreira Salles (IMS) para celebrar Carlos Drummond de Andrade, hoje é o dia da Hora de Clarice, programação coordenada pela Editora Rocco e pelo IMS.

Teresa Montero contesta o mito de Clarice como uma autora para seitas de privilegiados. Ela é autora da biografia Eu sou uma pergunta e organizadora dos livros Clarice na cabeceira — contos e Clarice na cabeceira — crônicas, em que leitores ilustres da escritora declaram o seu amor à musa e apresentam os textos. “De certa forma, a imprensa construiu um mito em torno de Clarice porque o que ela escrevia era diferente da literatura da época. Mas, mesmo em vida, quando publicava crônicas no Jornal do Brasil, ela já era uma autora muito popular. E, hoje, com os blogs e o Facebook, as pessoas começaram a falar de suas paixões literárias.”

No dia do aniversário da escritora, Teresa promoverá um passeio de 90 minutos por lugares percorridos por Clarice, no bairro do Leme, no Rio de Janeiro. A popularidade da autora colocou em questão o receio de que os meios eletrônicos seriam inimigos da literatura. Teresa realizou uma pesquisa e constatou que Clarice Lispector é uma das escritoras que tem mais comunidades de admiradores no Orkut e é “seguida” com paixão no Facebook. “Clarice tinha horror a livro caro. Quantas pessoas podem comprar um livro no Brasil? O fato de os textos dela se espalharem por todos os cantos é algo revolucionário. Isso democratiza a cultura e, com certeza, Clarice ficaria feliz se estivesse viva."

Benjamim Moser, autor da elogiada biografia Clarice, (Cosac e Naif), observa que ela falava diretamente ao público, mas nunca escreveu algo para vender nem para ficar popular. E é por isso que ficou popular, pois isso é muito raro, e é por isso que o público gosta tanto dela. “Agora, acho ótimo ver que aumenta o número de pessoas que têm acesso à obra dela, mesmo que seja uma frase.”

Para Eucanaã Ferraz, poeta e consultor de literatura do Instituto Moreira Salles, a situação é contraditória, pois muitos procuram em Clarice um texto de autoajuda e se frustram: “Não me sinto ajudado por Clarice, me sinto jogado no chão. Ela não fala do lado bom da vida ou do otimismo. Mas, ao mesmo tempo, encontra a frase de efeito e a profundidade metafísica. Ela é complexa e contém inclusive a possibilidade de ser popular”.

Dos prosadores brasileiros, Clarice é, ao lado de Guimarães Rosa, a que mais se aproxima da poesia.

Cada palavra tem peso, ritmo e respiração, comenta Eucanaã. Não importa aonde se vai chegar; o essencial são os passos: “Clarice está na prosa por acaso. Ela pode ser lida pelas frases carregadas de musicalidade. Não há dúvida de que Clarice é poeta”.

Novo leitores

Os romances são o tema do último livro da série Clarice na cabeceira, com organização e introdução do jornalista e escritor José Castello. Ela tem o objetivo didático de atrair novos leitores e realizar uma introdução para um primeiro contato com a obra de Clarice. As edições anteriores contemplaram os contos e a crônica da escritora e tiveram a coordenação de Teresa Montero e a participação, entre outros, de Luis Fernando Veríssimo, Caetano Veloso e Maria Bethânia. No caso dos romances, José Castello escreveu todos os textos de contextualização e introdução.

"Eu serei forte como alma de um animal e quando falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado correndo o futuro! O que eu disser soará falta e inteiro!”

"Oh Deus, que faço desta felicidade ao meu redor que é eterna, eterna, eterna, e que passará daqui a um instante porque o corpo só nos ensina a ser mortal?”

"Você há de me perguntar
por que tomo conta do mundo.
É que nasci incumbida”


"E eu não aguento a resignação. Ah,
como devoro com fome e prazer a revolta”


"Sim, minha força está na solidão”

"Brasília é uma estrela espatifada”
Clarice Lispector, escritora

Severino Francisco
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/12/10/interna_diversao_arte,282245/na-seu-aniversario-clarice-lispector-e-celebrada-com-recitais-e-palestras.shtml

Clarice Lispector: muitas facetas, todas brasileiras

A brasileira nascida na Ucrânia foi escritora, jornalista e foi enfermeira do exército do Brasil na Itália durante a Segunda Guerra Mundial

Clarice Lispector morreu no dia 9 de dezembro de 1977, a um dia de completar 57 anos, no Rio de Janeiro. Essa grande brasileira na verdade não nasceu no Brasil, mas em Tchelchenik, na Ucrânia, em 1920. No entanto, veio para cá já aos dois meses de idade, quando se instalou com a família, primeiramente em Maceió, e depois no Recife. Em 1942, procurando antecipar o seu processo de naturalização, a jovem escritora enviou uma carta ao então presidente da República, Getúlio Vargas, em que para argumentar se definia e falava de seu futuro: Uma russa de 21 anos de idade e que está no Brasil há 21 anos menos alguns meses. Que não conhece uma só palavra de russo mas que pensa, fala, escreve e age em português, fazendo disso sua profissão e nisso pousando todos os projetos do seu futuro, próximo ou longínquo (…) tudo que fiz tinha como núcleo minha real união com o país e que não possuo, nem elegeria, outra pátria senão o Brasil. Poderei trabalhar, formar-me, fazer os indispensáveis projetos para o futuro, com segurança e estabilidade. A assinatura de V.Exª tornará de direito uma situação de fato. Creia-me, Senhor Presidente, ela alargará minha vida. E um dia saberei provar que não a usei inutilmente.

Com isso, Clarice Lispector já deixava registrado que vivia para escrever, e que a sua língua era o português. Ela deu aulas do idioma e atuou como jornalista antes de começar a publicar romances. O jornalismo foi importante para que, ainda bem nova, se aproximasse de nomes como Antônio Callado, Hélio Pelegrino, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. Apenas dois anos depois de escrever a carta ao presidente, Clarice já estaria começando a cumprir a quase profecia contida na última frase do trecho reproduzido neste artigo: em 1944 foi lançado o primeiro romance da autora, Perto do Coração Selvagem. O livro aborda a solidão e a incomunicabilidade humana, utilizando uma linguagem que se aproxima da poesia.

Facsímile da carta enviada pelo Exército a Clarice
para agradecer a ajuda a soldados feridos.
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Pouco antes disso, em 43, Clarice havia se casado com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem ficaria por 15 anos e teria dois filhos, Pedro e Paulo. Logo após se unir, o casal rumou para a Europa, em plena Segunda Guerra Mundial. Na Itália, onde ficaram até 1946, Clarice mostraria um outro lado de sua personalidade, atuando como enfermeira de soldados brasileiros. O segundo romance da escritora, O Lustre, começou a ser desenvolvido ainda no Brasil, e foi concluído nessa época em que ela esteve na Itália.

A cidade sitiada, lançado em 49, foi escrito por Clarice na Suíça, num período em que a autora sentiu muito a falta das irmãs e dos amigos que havia deixado longe para acompanhar as viagens do marido. Até 1952 ela escreveria contos, e nesse ano publicaria a compilação Alguns Contos, posteriormente renomeado para Laços de Família com adições em 1960.

Para escrever as colunas femininas – atividade independente do percurso literário – Clarice utilizava-se de vários pseudônimos. Referência recente a isso foi feita em reportagem publicada no jornal O Globo, dia dois de julho último, a respeito da compilação das colunas de assuntos femininos a ser lançada este mês com o título CORREIO FEMININO. A matéria apresenta uma faceta pouco conhecida mas também muito característica de Clarice: a da mulher vaidosa, e que como jornalista podia dar dicas para outras mulheres também preocupadas com a moda, a beleza e comportamento. Para falar desses temas, Clarice assinou como Tereza Quadros, depois como Helen Palmer, e também foi a ghost writer da atriz Ilka Soares. Outra atividade que Clarice exerceu foi a produção de livros infantis. O primeiro deles, O Mistério do Coelho Pensante, data de 1968 e foi baseado numa história real da família. Depois vieram A Mulher que Matou os Peixes, A Vida Íntima de Laura, Quase de Verdade e Como Nasceram as Estrelas.

Em março de 2005, o jornal americano New York Times lhe deu consagração internacional ao chamá-la de Kafka da América Latina.

FONTE: http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/biografias/clarice-lispector-muitas-facetas-todas-brasileiras/

Um dia para homenagear Clarice Lispector



Clarice lispector. Imagem: Cláudia Andujar/Divulgação
Imagem: Cláudia Andujar/Divulgação

A exemplo de Carlos Drummond de Andrade e seu Dia D, Clarice Lispector (1920-1977) ganha uma data em homenagem à sua obra, comemorada hoje, seu aniversário, com eventos em todo o Brasil sob o título Hora de Clarice. Uma das casas à frente desta iniciativa, coordenada por Paulo Gurgel Valente, filho da autora de A paixão segundo G.H., é a editora Rocco, que promove na Livraria Jaqueira (no Recife), debates e exibição de documentário sobre a escritora mais festejada do país e principal estrela de seu catálogo. Na programação que se incorpora à agenda da própria livraria, haverá palestra, leitura de textos da autora, exibição de documentário. Dentro do projeto Frentes da Psicanálise, organizado pelo psicanalista e escritor André Resende, debate com os psicanalistas Jacques Laberge, Ana Lúcia Falcão e Carlos Eduardo Carvalheira, a partir das 17h.

"A obra de Clarice sempre chamou a atenção da psicanálise, que supõe apreender muito da falta que as palavras promovem nas pessoas. Ou seja, da necessidade das pessoas contarem suas angústias de forma que as angústias se tornem mais esclarecidas. Clarice tem uma obra em que, a todo momento, as revelações das angústias se manifestam como narrativas. A Intersecção Psicanalítica do Brasil e outros grupos de psicanálise possuem grupos de estudos e grupos de leituras que se esforçam para imaginar o quanto da obra dela pode ajudar a seguir como um lugar onde a palavra é o principal meio de expressão", explica o coordenador do evento, promovido desde outubro, sempre no segundo sábado do mês.

Já o psicanalista Carlos Eduardo Carvalheira acena para intersecções entre a escritura de Clarice e noções centrais da psicanálise lacaniana. “Nesta relação entre literatura e psicanálise, há algo muito importante e mais presente na psicanálise lacaniana, que é a noção de ‘real’. Clarice fala deste mesmo ‘real’ lacaniano, mas poeticamente. Lacan, por exemplo, coloca o ‘real’ como aquilo que não deixa de se inscrever; e Clarice diz, por exemplo, ‘Capta essa coisa que me escapa e, no entanto, vivo dela; e estou à tona de brilhante escuridão’, dando conta de algo indizível, atingindo o mesmo ‘real’ com as palavras”.

“A psicanálise aprende com a literatura”, continua Carvalheira, autor de estudos sobre a escritora. “Hélène Cixous, psicanalista, coloca Clarice como maior escritor contemporâneo, difundindo seu trabalho em toda a França, Canadá e Estados Unidos. ‘É filosofia poética ou poesia filosófica? Enfim, algo que nunca vi em outro lugar e só há uma pessoa no mundo que produziu textos tão densos, que foi Kafka’, escreve.

Outra questão importante são as epifanias. “Toda a obra de Clarice é epifânica, e não existe quase ninguém que faça igual a ela. Temos James Joyce, cujas epifanias são muito ricas, lançando mão das metáforas de colisão, como as que Clarice usa. As metáforas de colisão agem segundo o princípio da tensão e da oposição. São metáforas mais aprimoradas, mais difíceis de serem percebidas”, conclui o psicanalista.

Por Paulo Carvalho, do Diario de Pernambuco

Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
10/12/2011 | 10h54 | Literatura

VALÉRIA LOBÃO - CANTORA E SEU PRIMEIRO CD "CHAMADA" (minha descoberta recente)

Ótima cantora, Valéria Lobão chama atenção em bom primeiro disco solo

Resenha de CD
Título: Chamada
Artista: Valéria Lobão
Gravadora: Olho do Tempo / Tenda da Raposa

Integrante desde 1992 do grupo vocal Equale, a cantora carioca Valéria Lobão alça voo solo em Chamada com classe, estilo e um canto tão polido quanto seguro. A classe vem tanto da voz apurada da intérprete quanto da produção de Carlos Fuchs, marco inaugural do selo Tenda da Raposa, batizado com o nome do estúdio onde o CD foi formatado. A impressão é positiva já no samba que abre o disco. Metais arranjados por Jayme Vignoli com certa tensão adensam Fubá (Raphael Gemal e Isaac Chueke). Compositor carioca ainda não valorizado na medida de sua inspiração, Gemal é também autor - em parceria com Ricardo Szpilman - da faixa-título do álbum, Chamada, cuja letra expõe signos e símbolos da cultura afro-brasileira. Na sequência, Vivência - tema de Gilson Peranzzetta e Dori Caymmi, gravado por Sarah Vaughan (1924 - 1990) em seu álbum Brazilian Romance (1987) com o título de Obsession e sem a letra de Paulo César Pinheiro ora apresentada por Lobão - tem sua bela melodia ambientada em clima jazzy em algumas passagens pelo piano de Peranzzetta. De caráter lírico que roça o onírico, Roma (Lili Araújo e Alegre Corrêa) se ajusta bem à voz límpida da cantora com a leveza que escasseia em alguns momentos. Noite (Paulo Baiano e Marcos Sacramento) é uma das faixas que conferem e densidade e peso a Chamada, tornando o disco cansativo em alguns momentos. Contudo, verdade seja dita, a delicadeza sofisticada da produção valoriza cada uma das 13 músicas interpretadas por Lobão. Tarde (Milton Nascimento e Marcio Borges) ganha um de seus melhores registros em Chamada. Em contrapartida, falta molho em Roda Baiana (Zé Paulo Becker e Tiago Torres da Silva) ao passo que o piano de Carlos Fuchs se revela suficiente em Uma Canção pra Ela, inédita do sempre inspirado Rodrigo Maranhão (outro compositor carioca ainda não incensado na medida da beleza de sua produção autoral sempre sedutora). Com seis longos minutos, Oração Perdida (Luiz Flávio Alcofra, Jayme Vignoli e Aldir Blanc) percorre em tom sacro a via-crúcis do amor. "O amor é meu pastor / Tudo me faltará", sintetizam os versos lapidares de Blanc, divididos por Lobão com Marcos Sacramento. Na sequência, Jongo de Vovó (Zé Paulo Becker e Paulo César Pinheiro) situa Chamada em algum lugar do passado rítmico da Nação brasileira onde também parece residir Ritual Profano, tema de Antonio Saraiva, encorpado pela percussão e voz de Pedro Luís e a Parede. Saraiva é o parceiro de Paulo Baiano no fecho do disco, La Dolce Vita - A Saideira!, tema adornado pelo acordeom de Bebê Kramer que acentua a sensação de que Chamada enredaria mais o ouvinte se durasse um pouco menos. Ainda assim, o disco chama atenção para o canto classudo de Valéria Lobão - dona de voz domada pela perfeição técnica.

FONTE: http://blognotasmusicais.blogspot.com/2011/07/otima-cantora-valeria-lobao-chama.html

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lenine - novo álbum repleto de sons orgânicos e significados peculiares.

 Novo álbum de Lenine: Chão

Capa do novo CD de Lenine, Chão (Imagem: Divulgação)

“No início, havia apenas a palavra e meu principal significado para chão: tudo aquilo que me sustenta. Chão, quase uma onomatopeia do andar – que soa nasal e reverbera no corpo todo”, diz Lenine, pontuando como construiu o nome para o seu décimo disco.

Ruídos como o canto de um pássaro, o apito de uma chaleira, batimentos cardíacos, uma máquina de escrever, uma lavadora de roupas e até uma motosserra, foram utilizados para compor dez faixas orgânicas, intensas e poéticas, classificadas pelo cantor como “pessoal, passional e intransferível”.

Logo na capa do álbum, todo o sentimentalismo envolto ao novo trabalho se resume: uma foto retirada do álbum da família. “É meu neto. Ele estava dormindo sobre mim. Corrobora este significado de sustento porque, naquele momento, eu era o seu chão”, diz Lenine.

Além da participação dos músicos Júnior Tostoi, Lula Queiroga, Carlos Rennó e Ivan Santos, o filho do cantor, Bruno Giorgi, também ajudou na construção do álbum, o que evidencia um significado singular.

A primeira faixa, que leva o nome do álbum – Chão -, exprime uma sensação de tensão e utiliza elementos eletrônicos. Começa com o som de passos, que ecoam durante toda a música. “Um monossílabo, reverberante e onomatopeico, porque ele já traz o barulho da caminhada quando você fala ‘chão, chão, chão’”.

Destaque também para a faixa Amor é para quem ama, que conta com a participação especial de Frederico, um canário belga da sogra do cantor. “Frederico estava na porta do estúdio. Quando eu fui ouvir, estava o vazamento lá do passarinho cantando. Só que o Bruno [Giorgi] falou ‘Ele tá cantando no tom. Vamos assumir isso aqui’. Botei no computador a música e dei um play/rec – de antes de começar a música e até terminar. Quando a gente abriu, foi a mesma coisa que você ouviu, porque não teve edição. Cara, o Frederico arrasou!”. Na mesma faixa, há também citação da obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

A última faixa, Isso é só o começo, apresenta todos os elementos usados nas faixas anteriores, intencionando um fio condutor pontual para o final do disco.

Certamente, um trabalho que reafirma toda a reinvenção costumeira de Lenine. Vale a pena conferir!

Musicista, jornalista, desbravadora da cultura popular brasileira, cinéfila e amante da arte de rua. Tocadora de rabeca e batuqueira de maracatu. Vira-latas de coração.
 Novo álbum de Lenine: Chão Danielle Geneoll

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011